Vejo pessoas caminhando sem razão, sem direção, seguindo o vento. Caminham sem saber para onde querem ir, sem saber onde podem chegar. Caminham porque todos caminham, caminham porque sentem prazer em andar.
Seus olhares enfadados refletem o que se passa fundo de suas almas, sua insignificância. Não se julgam aptos para questionar e não lhes resta tempo, porque tudo o que devem fazer é andar.
Pessoas carentes de razões pela vida. Não controlam as emoções, não desenvolvem ensejos, não possuem crenças. Por não acreditar no que não podem ver, conformam-se com a cegueira perdendo assim de vista até o óbvio.
Envolvidos na decadente cultura tornam-se céticos, narcisistas, hedonistas, consumistas. Vítimas do próprio conforto, eles não podem parar de andar porque o mundo capitalista precisa girar.
Realidade cruel essa, onde as vidas são cheias de vazio. Onde a maldição do homem não é morte, mas a própria vida. Vida sem sentido, vida morta.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Cheios de vazio
sábado, 11 de abril de 2009
Páscoa.
Pelo pecado uma vez escravizado, andava errante o homem pelo mundo. Associava-se a prazeres voluptuosos e perdia sutilmente, na cega servidão, a identidade do reino para o qual fora separado. Ofuscava com a distância, a realidade de um Deus e cogitava em seu coração a descrença nutrida pelo sofrimento. Honrado, praticava a injustiça; Santo, profanava o sacro; Honesto,
Pelo amor uma vez encarnado, andava em retidão o homem-Deus pelo mundo. Associava-se a pecadores e resgatava neles vividamente a identidade perdida. Brilhava como uma luz nunca antes tão próxima e acendia nos corações uma crédula chama nutrida de esperança. Desonrado, era a Justiça; Profanado, era o Santo; Rotulado mentiroso, era a Verdade; E ferido foi, pois era a Rocha.
Não há história mais bela do que a tragédia do calvário. Nenhuma toca meu coração com tanta alegria, nunca uma aliança foi tão comprometida. Com o poder do amor, o homem-Deus desfraldou da cruz a bandeira da salvação, e entregando-nos Sua vida restou-Lhe nossa morte. Mas sobre Ele o aguilhão da morte não triunfou, o Deus-homem venceu o sepulcro, concretizando a libertação de todo o cativo que carrega seu lábaro ensangüentado.
Da metáfora da escravidão à realidade da ressurreição, a páscoa significa esperança. Esperança de que apoteoticamente, o Deus-homem, montado em Seu cavalo branco venha vencendo e pra vencer, consumar o direito na cruz garantido, esmagar a cabeça da serpente e libertar, enfim e definitivamente, o homem errante que foi pelo pecado uma vez escravizado.
domingo, 29 de março de 2009
Por que eu gosto das perguntas mais inconvenientes?
Quando as pessoas perguntam se está tudo bem, você não pensa numa resposta, você simplesmente responde: tudo. Para perguntas mais comuns existem respostas previamente preparadas. Para as perguntas mais insólitas, no entanto, há reflexão, o que gera respostas mais sinceras.
O mundo é superficial demais, romper esse superficialismo é um ato de coragem, é sempre arriscado ser intimidador. Mas perguntas intimidadoras demonstram um desejo de conhecimento, um interesse. Só as fazemos pra quem sentimos que realmente vale à pena, porque convém manter um relacionamento superficial com pessoas indiferentes.
A construção de uma pergunta evidencia a forma como o interlocutor compreende o mundo. Toda pergunta implica numa resposta, seja essa dita ou não. Perguntas comprometedoras nos fazem pensar e suas respostas revelam até a nós mesmos quem realmente somos.
Uma linha tênue divisa meu interesse do bom senso. Muitas vezes, abrigo perguntas inconvenientes esperando o dia em que talvez possam ser feitas. Esporadicamente uma ou outra escapa e como resultado, vezes colho uma semente de amizade, vezes perco um colega para a superficialidade.
As perguntas mais inconvenientes me seduzem por serem penetrantes, por conduzirem às respostas significativas, por exporem motivos ocultos e me capacitarem a enfrentar maiores verdades.
Toda pergunta é um ponto de partida. Uma boa pergunta pode ser o início de uma aventura.
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