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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Auto-estima

Muitas pessoas estão doentes, socialmente doentes. E essa doença, por mais contraditória que possa parecer, não tem nada a ver com o outro, apenas com o eu. São pessoas necessitadas de amor próprio, vulnerabilizadas por suas instáveis emoções, reféns de si mesmos.

Exaltam a era do culto a si mesmo, e abusam de roupas de marca, “amigos” do Orkut, celulares ou qualquer outro símbolo social que granjeie bajulações vendendo a imagem de que eles têm algo que não são.

Mas a solidão sempre os encontra e ela é cega para status, mas especialista em avaliar a alma e determinar com exatidão o valor que cada um tem. Neste momento, nus diante da verdade essas vítimas do eu têm sua carência revelada.

Sabem no fundo que estão equivocados em sua maneira de viver, em tentativas desesperadas confundem auto-estima com egoísmo e buscando a satisfação da carência, fecham as portas para o que poderia enfim os ajudar, um relacionamento virtuoso.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Saudade

Escrevo de um país chamado Saudade, numa outra dimensão, talvez um universo paralelo. Aqui o presente real é consumido para que eu possa viver na memória o passado.

Fico deslumbrado ao caminhar pelas ruas: Cinemas apoteóticos expõem em grandes telas os melhores momentos de minha vida; Nos teatros são exibidas recordações que de outra forma não poderiam ser tão vividamente retratadas; Competentes narradores declamam as gloriosas epopéias que um dia eu vivi; E até as mais simples lojinhas revelam fotografias de toques, sorrisos e olhares. Por todo ambiente posso ouvir a doce sinfonia pautada no ritmo do meu coração.

Neste país sou um agente da voz passiva, tudo o que me é permitido fazer é observar. Num surto de desespero, eu tento romper a ilusão, por querer agir, por ambicionar sentir e não somente assistir. Tento estilhaçar o que me divide entre o ver e o viver, é esse maldito vidro, a tal da realidade. Sou expulso de lá, mas por vezes me pego trocando o presente por uma rápida viagem a esse longínquo país.

Só quando volto entendo que sinto saudade de uma representação, do que não existe mais, os personagens, hoje encenam outras histórias, e os lugares, já não são mais os mesmos. Dessa premissa deduzo a mais incontestável realidade: saudade dói.

sábado, 30 de maio de 2009

Você é crente?

Essa pergunta repetida algumas vezes nos últimos dias me fez pensar. O que é ser crente?? Embora sejamos todos crentes por crermos em algo, quase que por uma convenção catalogamos os religiosos como crentes. Eu entendia o sentido da pergunta, mas não podia simplesmente me identificar nessa concepção atual de “crente”.

Eu gostaria de mudar a compreensão do crente taxado, mas sei que em meu meio muitos tiveram a atração à espiritualidade destruída logo na infância pela cultura dominante que prega a relatividade moral e o culto a futilidade. Vejo crianças que só pensam em super-heróis, armas, explosões, desprezíveis slogans, músicas e marcas.

Sei que na escola se desenvolve um raciocínio carente (pra não dizer falso) que oferece a segura conformidade de ver outros iguais em troca da liberdade e coragem pra pensar diferente. Aliás, esse sistema gravita mais em torno da verbalização do que do raciocínio porque tudo não passa de um exercício de se repetição de informações previamente estabelecidas.

Como se não bastasse a conformidade da repetição que inibe o modo de se repensar as coisas, o que dizer da banalização e da distorção da religião que me faz ter receio em dizer que sou crente pelo sentido pejorativo agregado por cínicas instituições religiosas que fazem da salvação produto de mercado ou ações na bolsa que trarão lucro a curto prazo?! Também não posso ser um moralista conservador que cultua sua perfeita imagem e cedo ou tarde se encontra na mais pura hipocrisia.

Porque o abismo entre os extremos é tão grande e qual a relação entre o equilíbrio religioso e a relatividade moral? Por que tantos constroem celeiros na euforia do evangelho da prosperidade, tantos são desmotivados acreditando em fantasmas do passado, tantos são derrotados pelo desejo extremo de ser correto e tão poucos não se deixam intimidar e se arriscam a viver um Jesus próximo?

Por que tão poucos enxergam o cristianismo não só como um conjunto de regras ou um sistema de crenças, mas antes de tudo, um caso de amor?!


Inspirado no livro a assinatura de Jesus.

domingo, 29 de março de 2009

Por que eu gosto das perguntas mais inconvenientes?

Quando as pessoas perguntam se está tudo bem, você não pensa numa resposta, você simplesmente responde: tudo. Para perguntas mais comuns existem respostas previamente preparadas. Para as perguntas mais insólitas, no entanto, há reflexão, o que gera respostas mais sinceras.


O mundo é superficial demais, romper esse superficialismo é um ato de coragem, é sempre arriscado ser intimidador. Mas perguntas intimidadoras demonstram um desejo de conhecimento, um interesse. Só as fazemos pra quem sentimos que realmente vale à pena, porque convém manter um relacionamento superficial com pessoas indiferentes.

A construção de uma pergunta evidencia a forma como o interlocutor compreende o mundo. Toda pergunta implica numa resposta, seja essa dita ou não. Perguntas comprometedoras nos fazem pensar e suas respostas revelam até a nós mesmos quem realmente somos.

Uma linha tênue divisa meu interesse do bom senso. Muitas vezes, abrigo perguntas inconvenientes esperando o dia em que talvez possam ser feitas. Esporadicamente uma ou outra escapa e como resultado, vezes colho uma semente de amizade, vezes perco um colega para a superficialidade.

As perguntas mais inconvenientes me seduzem por serem penetrantes, por conduzirem às respostas significativas, por exporem motivos ocultos e me capacitarem a enfrentar maiores verdades.

Toda pergunta é um ponto de partida. Uma boa pergunta pode ser o início de uma aventura.

domingo, 15 de março de 2009

Ensaio sobre o Nada

Nem perca seu tempo lendo isso, porque uma coisa é certa: um ensaio sobre o nada não leva a lugar algum.

Geralmente escrevo sobre o que me faz pensar, mas dessa vez não consegui pensar em nada, tarde demais, pensar em nada já era um pensamento. Definitivamente uma contradição, mas uma ilusória conexão entre meios pensamentos sem começo ou fim.

A vida é cheia de nadas. Ás vezes no ócio nos perdemos entre pensamentos, acabamos não chegando a conclusão nenhuma e conseqüentemente contemplamos por alguns milésimos de segundos a ausência do algo. Mas é interessante que sempre que se pensa no nada algo vem à mente. Penso no vazio da religião, na incompreensível química, no vácuo da física e nos sofismas da filosofia.

Parece que tudo tem um pouco de nada, só o nada que não tem nada de si mesmo e nada de tudo. Há muito a se refletir sobre o nada, poderia escrever mais, mas seja como for esgotei o recurso da falta de idéias e na próxima terei que me esforçar realmente pra escrever sobre algo. Termino como comecei, sem definitivamente nada a dizer.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Estrada

É ao viajar pela estrada, a metáfora da vida, que entre paisagens ora estáticas, ora dinâmicas, repensamos nosso ser. A mesma distância que nos separa de uns, nos aproxima de outros. E é neste intervalo entre a partida e a chegada que estamos sozinhos. Sozinhos para analisar nossas prioridades e ponderar
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .nossas voláteis emoções.

As pessoas podem nos motivar, nos ajudar e nos ensinar, mas só na intimidade do nosso eu podemos empreender a jornada de decisões. Estudamos nosso comportamento diante de algumas situações, acatamos conselhos cordiais e consideramos o que pode fazer de nós pessoas melhores. Em breves momentos, onde a viagem psíquica ultrapassa as barreiras físicas do mundo pelo qual nos deslocamos, elaboramos todo um plano, pode ser que nada dê certo, mas na vida é preciso arriscar, porque deixar de arriscar é o maior risco.

O que se passou é conhecido, são lembranças, são promessas. No agora, contemplamos a paisagem dos sonhos. E no horizonte se esboçam os anseios de um amanhã desconhecido.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Amigos

Falar de amizade, de amigos no plural, não teria outro sentido se não refletir na lição que com uns poucos aprendi. Digo poucos com orgulho, porque embora escassos em número são abundantes em qualidade. Fui bem criterioso ao condecorar-lhes com esse título, pois depois de uma série de acontecimentos não era mais possível considerar-lhes meros colegas. Não citarei nomes, mencionarei o que com cada um aprendi sobre a amizade.

Amigo é aquele te faz cumprir uma promessa, acabe a intimidade, passe o tempo, o que foi dito na sinceridade percorre os caminhos da fidelidade;

Amigo é aquele que tem prazer na sua companhia, que quer estar com você todos os dias, ele é comum a seus gostos, suas crenças é quem te leva a pensar;

O amigo é quem partilha com você todas suas historias (e quantas histórias) e te deixa a par de tudo o que aconteceu na vida dele antes da sua chegada;

Amigo é quem olha pra os seus olhos e enxerga o que se passa no seu coração, ele não pergunta se está tudo bem, ele só pergunta: o que aconteceu dessa vez?

O amigo pode machucar, e como, mas o amigo perdoa;

Amigo é quem te faz rir só pelo jeito que ele pronuncia seu apelido;

Amigo é quem de te liga puxando assunto só pra ouvir o som da sua voz;

Amigo não é superficial, é profundo, o amigo se importa com você independente das circunstâncias, amigo diz sempre a verdade. O amigo te conhece como você é, ele entende o que vai no fundo do seu coração, ele sabe seus defeitos, seus problemas, ele conhece sua ferida, o que te incomoda. Amigo é quem sempre tenta fazer o que é certo. Amigo é quem te ensina, quem sofre junto. O amigo faz você rir, se preocupa com seus sentimentos, torce verdadeiramente pelo seu sucesso. Ele se importa com quem vai ser sua próxima namorada (o). Amigo é aquele com o qual você faz planos, é o que te motiva. Amigo é aquele que sabe te fazer bem independente da situação.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Livre-arbítrio

Há algum tempo me pergunto o porquê do desejo de convencer alguém de algo. Seria uma ação involuntária visando subliminarmente à redução de atrito em um relacionamento? Não, o próprio ato da persuasão ou debate já é um atrito que poderia ser evitado majoritariamente. Cogitando possibilidades encontrei uma que me intriga, mas de certa forma me agrada.

Deus deu ao homem o livre-arbítrio. Aqui começa um enorme paradoxo, a antagônica relação entre liberdade e juízo (arbítrio). É incrível como as pessoas gostam de julgar umas as outras, adotam como regras padrões individuais definidos por puro capricho e se acham no direito condenar. A restrição é um atentado contra a própria liberdade. Sentimo-nos livres para julgar, mas não aceitamos a liberdade de quem tomamos por réus.

Nosso íntimo egoísta deseja convencer e dominar, tudo o que ardentemente desejamos em nossa pequenez Deus em Sua grandeza abriu mão ao dar-nos o livre-arbítrio. Ele em Seu infinito amor deu-nos a opção de não amá-Lo. Esse é o cerne do altruísmo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Coleguismo

Já foi dada uma breve introdução a respeito de meus pensamentos, sobre o que chamam de amizade. Antes de falarmos sobre a amizade comum e a verdadeira amizade seria necessário avaliar outro tipo de relacionamento mais rudimentar, o que eu chamo de “coleguismo”.

O coleguismo é uma relação interpessoal humana muito comum, está presente em diversas áreas de nossa vida e envolve a maioria das pessoas. Onde estamos temos a habilidade de nos relacionar, e qualquer tipo de relacionamento saudável entre pessoas pode ser tido como coleguismo.

Podemos fazer colegas em festas, férias, no trabalho, na escola ou em qualquer ambiente. Os colegas são amáveis e simpáticos, geralmente temos muitas coisas em comum. Com os colegas até podemos repartir algumas dores, mas não devemos falar de mais e nem tudo o que pensamos, eles são embalados no lacre da superficialidade. Podemos conviver anos com um colega sem saber a história de sua vida. O importante é sempre manter o alto-astral, dar risadas, se divertir e seguir aquela linha de comportamento imposta pela sociedade em todas as circunstancias.

Os colegas passam por nossa vida, uns por algumas horas, outros por dias ou até anos. São pessoas que entram e saem das nossas vidas, quando vem à separação não devemos temer, “foi bom enquanto durou”, desejar felicidades e seguir em frente cada um pelo seu rumo. Se no futuro se encontrarem relembrarão alguns momentos e perceberão que se fizeram o uso da palavra amigo foi em vão, pois na verdade passaram pelas vidas um do outro quando havia algo em comum, mas agora, é... eram colegas!

sábado, 26 de julho de 2008

Correr

Perdoem-me os leitores pelo desleixo nos últimos dias... Férias!!!! Voltarei a escrever regularmente. Conto com os comentários... Obrigado!!! Um textinho meio fraco pra recomçar...

Correr: os pés tocam o chão, de forma harmoniosa o atrito do velho tênis sobre o asfalto gera o movimento. A velocidade, o peito ofegante, a liberdade. O vento contra o rosto, entrando pelas narinas, o cheiro da relva. A paisagem, os olhos atentos, a admiração. O sol, que brilha sobre o campo e com seus raios atravessa os galhos e as folhas de cada árvore, aos pouco vai se esvanecendo no horizonte. Uma trégua, no primeiro momento as mãos se lançam os joelhos, mas logo depois se olha ao redor, a terra, o vento, o sol. O tempo pára, e na intermitência de uma respiração sente-se a eternidade. Adoração, silêncio, reverência. Poderia ficar lá por horas, mas não seria a mesma coisa, tudo tem seu tempo e os momentos que nos dão vislumbres da eternidade exigem de nós em troca os pés no chão. A estrada perde-se nos pés, a brisa, a lua, no horizonte perde-se uma silhueta, é só um jovem correndo.

domingo, 29 de junho de 2008

O último pecador

O filho de Deus, amante da carne. O hipócrita descomedido de estereótipo fixo e alma oscilante. Questionando o que não tem resposta, esperando o que não merece, mais caindo do que levantando, mais cedendo do que lutando. Que atos, por mais louváveis que sejam, poderiam equiparar o mais sutil dos meus erros que atentam contra a santidade de Deus? Como pode um jovem manter pura sua alma? Guardando Sua lei? A lei é absoluta! Como permanecer em pé diante do trono de um Deus justo que é fogo consumidor?

Em mim, nada há de íntegro, nada de justo, nada de reto. Quisera ser o que às vezes pareço. Perdido? Jamais! Porque embora às vezes seja amante da carne sou filho é de Deus. Porque a alma embora oscilante, não é fôlego meu. Mesmo questionando sigo esperando. Caio, e quando não consigo levantar, Ele vem à terra e me socorre no chão. Não há nada no mundo que possa me salvar, não a dignidade que mantenha alguém em pé diante da justiça de Deus. Mas aleluia porque existe uma saída, glória a Deus porque não é o final: GRAÇA! Ela é maior do que o pecado, é incondicional. A lei pode ser absoluta porque a graça também é absoluta! A graça é o que de mais doce há no evangelho, ela é a certeza de que Deus me ama mesmo sendo eu ainda o último pecador.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Por que sorrimos quando alguém nos abraça?

Por que sorrimos quando alguém nos abraça?
Seria pela segurança, pela ajuda ou pelo conforto? Não, ninguém sorri por estar seguro, ser ajudado ou ficar confortável. Essas são razões mais racionais e a razão raramente faz sorrir o coração. As pessoas sorriem quando brota sentimento, quando ele é maior do que o corpo e não se contendo em ser só pra si transborda num sorriso compartilhando a alegria com todos.

Mas porque tanto alegria em um simples abraço?
Eu acredito que exista um diálogo entre os corações, onde a linguagem não é feita de palavras, mas de sentimentos. Quando se abraçam, os corações amigos podem ouvir o cochichar um do outro, trocando segredos, acalentando as aflições, transmitindo paz. Não nos deixam ouvir ou compreender, mas nos permitem sentir a reciprocidade dos nossos sentimentos por quem gostamos.


Então é isso?
Não, embora bastasse o maravilhoso diálogo dos corações amigos, não é só isso. O abraço tem um trunfo, ele ultrapassa a esfera dos sentimentos e da razão e corajosamente se arrisca nos terrenos da ação. Seria belo sentir verdadeiramente, extraordinário dizer com sinceridade, mas é excelente demonstrar.

Tantos abraços já recebi em minha vida, alguns mais inexperientes, outros mais confiantes, uns inesperados outros extremamente aguardados. Cada abraço é único porque cada pessoas é única. De uma coisa eu tenho certeza: Abraçar é muito bom!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia dos Namorados

Esse é meu décimo sétimo dia dos namorados solteiro. Envolto em meus pensamentos, numerei três breves críticas relacionadas ao “mau namoro”. Certamente será chato e frio para alguns, mas não faço questão de agradar a todos:

Em primeiro lugar, sou contra o namoro precoce. Geralmente ele ocorre antes de a pessoa definir seus princípios e conduta, sendo assim guiada completamente por um impulso cego que coloca a afeição numa escala superior a da razão. Essa paixão dominante e egoísta rouba muitos dos amigos, que deveriam ser de toda forma conquistados e valorizados nessa fase. Sem se falar nos perigos e traumas causados por um sentimento sem razão.

Sou também contra o namoro fácil por necessidade. Deixar-se cativar facilmente faz-nos perder o valor e conseqüentemente ferir a própria auto-estima. Instintos devem ser controlados, e quando não são, conspiram contra a razão deixando sem fundamento firme os sentimentos, que em vez de abrilhantar a vida passam a enegrecê-la.

Em terceiro, sou completamente contra e me incomoda o uso vulgar que muitos namorados fazem do “eu te amo”. São incontáveis os casais que fazem livre uso do termo em seus primeiros meses de relacionamento. “É um termo abundantemente usado, mas não compreendido. A atração ou fascinação de um por outro não é amor e não faz jus a esse nome. O verdadeiro amor tem base intelectual, através de um profundo conhecimento da pessoa amada.” EGW, Carta a jovens namorados, pág.36.

O bom namoro é uma benção, por esse espero ansiosamente. Mas sinceramente, do namoro precoce (que creio agora, já não ser o meu caso) e do namoro por necessidade prefiro me abster. Feliz Dia dos Namorados!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Sobre a Amizade

São poucos os assuntos que me fascinam tanto quanto a amizade. Sem dúvida, já escrevi sobre este mais do que qualquer outro assunto. Iniciarei minha jornada pelos caminhos da amizade nesse Blog com uma breve introdução:

Antigamente a palavra “amizade” definia relacionamentos a beira da perfeição, era usada cautelosamente pelo grande valor que em si carregava. Foram poucos os que atingiram em seus relacionamentos o ideal proposto pela palavra, tanto que existem alguns ensaios e idealizações sobre o assunto, mas são raros os testemunhos de uma verdadeira amizade. Um exemplo disso é a Bíblia, que tão vasta em temas apresenta somente um relato detalhado de amizade entre humanos, e o faz abismando leigos no assunto com termos como “a alma de Davi se ligou a de Jônatas”.

Ao transcorrer da historia, o real significado de amizade foi se esvanecendo e ela passa agora a abranger todos os relacionamentos saudáveis humanos. Seria de minha vontade recuperar a grandeza autêntica da palavra amizade, mas para isso haveria necessidade de encontrar outra forma de classificar os bons relacionamentos que não são amizade, colegas. Por experiência, prefiro manter a inversão de valores caracterizando a amizade que beira a perfeição como verdadeira, não porque as outras sejam falsas, mas porque essa denota o primitivo sentido da palavra.

Nos textos sobre a amizade, ponderarei alguns de seus níveis e seus benefícios, mas enfatizarei e celebrarei o dom da amizade verdadeira. Amantes dessa encontrarão aqui refúgio; Candidatos, auxílio; Solitários, esperança.