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sábado, 11 de abril de 2009

Páscoa.

Pelo pecado uma vez escravizado, andava errante o homem pelo mundo. Associava-se a prazeres voluptuosos e perdia sutilmente, na cega servidão, a identidade do reino para o qual fora separado. Ofuscava com a distância, a realidade de um Deus e cogitava em seu coração a descrença nutrida pelo sofrimento. Honrado, praticava a injustiça; Santo, profanava o sacro; Honesto,

................................cultuava a mentira; Curado, feria a rocha.

Pelo amor uma vez encarnado, andava em retidão o homem-Deus pelo mundo. Associava-se a pecadores e resgatava neles vividamente a identidade perdida. Brilhava como uma luz nunca antes tão próxima e acendia nos corações uma crédula chama nutrida de esperança. Desonrado, era a Justiça; Profanado, era o Santo; Rotulado mentiroso, era a Verdade; E ferido foi, pois era a Rocha.

Não há história mais bela do que a tragédia do calvário. Nenhuma toca meu coração com tanta alegria, nunca uma aliança foi tão comprometida. Com o poder do amor, o homem-Deus desfraldou da cruz a bandeira da salvação, e entregando-nos Sua vida restou-Lhe nossa morte. Mas sobre Ele o aguilhão da morte não triunfou, o Deus-homem venceu o sepulcro, concretizando a libertação de todo o cativo que carrega seu lábaro ensangüentado.

Da metáfora da escravidão à realidade da ressurreição, a páscoa significa esperança. Esperança de que apoteoticamente, o Deus-homem, montado em Seu cavalo branco venha vencendo e pra vencer, consumar o direito na cruz garantido, esmagar a cabeça da serpente e libertar, enfim e definitivamente, o homem errante que foi pelo pecado uma vez escravizado.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Sonhar

Sonhar é construir universos paralelos com a concepção de uma idéia;
É controlar o tempo e conduzir espaço, é reger com harmonia cada detalhe.
É fazer parte de um mundo onde tudo gira em torno da nossa mente.
Onde os limites não existem, onde cada viagem se resume a um passo e cada passo é uma grande viagem.


Sonhar é plantar relacionamentos com o espontaneidade de um desejo;
É nutri-los com as mais fúteis demonstrações, e zelá-los como nosso maior tesouro.
É enfrentar o gigante da insegurança, e vencê-lo com as armas das ações.
É no final de toda batalha, conquistar a donzela de forma heróica.

É não ter medo de errar.
Ter ousadia pra tentar.
É um delírio, sonhar!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A obra da vida

Algumas sugestões apontaram alguma dificuldade no vocabulário e na interpretação dos textos, escrevo primeiro de maneira “inevitável” e logo em seguida de uma forma mais simples:

A vida é escura, cheia de contrastes mais sem brilho. É abissal a presença de saturações, mas limitado o espectro de matizes. Numa tonalidade cinzenta ela se apresenta crua, cabe ao ser humano colori-la de emoção. A visão é subjetiva, a interpretação concebe a idéia e estabelece o significado.

Os pincéis da alegria são molhados na imaginação e é a fantasia do real, não de forma alienada, mas de forma complementar, que dá o acabamento na obra da vida. É a idealização do concreto numa configuração abstrata que nos remete emoção ás lembranças. E é o uso de figuras representativas que acrescenta valor ao comum e faz especial o tradicional.

Toda beleza é vã no individualismo, o poder do repartir nossas experiências e cores que faz da vida mais que um projeto, uma obra de arte.

Em outras palavras...

A vida é cheia de desigualdades (sociais, culturais, financeiras...), mas em todas elas sem brilho (dinheiro, posição, bens, não trazem felicidade). Marca grande presença o excesso (o tedioso, o problema), mas é limitada quantidade de peculiaridades (de diferenças, de soluções) que cada um trás consigo. A vida como chega a nós não é atrativa, mas temos a capacidade de colori-la e fazê-la especial. O que vemos não é tão importante quanto o que pensamos do que vemos.

A alegria depende da imaginação, e é a fantasia, não de forma louca, mas de forma natural e não condicionada a frivolidade da sociedade que dá o acabamento na vida. É a idéia do real (que já aconteceu) que faz ao lembrarmos (do acontecimento) emocionarmo-nos novamente. É o fato de figurarmos as coisas (ironias, brincadeiras, trocadilhos) que acrescenta valor ao dia-a-dia e faz do comum especial.

É inútil ter uma vida, sem pessoas com quem podemos reparti - lá, e nossa capacidade de compartilhar experiências e emoções uns com os outros que faz da vida mais do que um empreendimento uma grande aventura.


sexta-feira, 23 de maio de 2008

Pra cada 2 perguntas, 1 afirmação

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Duas da manhã, sem dormir. Primeiro poema, lamento ser nesse estado de espírito. Não posso conter, é inevitável.
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O que a gente faz quando a dor do peito é mais forte que a razão?
Quando a mente que estava centrada é consumida pelo coração?
Por fora, tudo como sempre, por dentro arde à explosão.

Raimundo Correia sabia desse mal secreto, por isso falou sobre a cólera que espuma na alma, que destrói as utopias e a tudo devora, por isso cogitou ao espírito sofrido enxergar pela máscara da face. Máscara.

Por que tenho que participar desse baile e usar essa máscara que me é uma aberração?
Porque nessa sociedade quem tem dinheiro e poder é quem segue melhor a representação?
Por fora, todos se enganam, por dentro sabem: é tudo ilusão.


Como anelar por brandura se deste mundo o interior é mal?
Pra que aparentar doçura se todos sabem que são sal?
Para os outros é loucura, mas você sabe, é real.