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domingo, 29 de março de 2009

Por que eu gosto das perguntas mais inconvenientes?

Quando as pessoas perguntam se está tudo bem, você não pensa numa resposta, você simplesmente responde: tudo. Para perguntas mais comuns existem respostas previamente preparadas. Para as perguntas mais insólitas, no entanto, há reflexão, o que gera respostas mais sinceras.


O mundo é superficial demais, romper esse superficialismo é um ato de coragem, é sempre arriscado ser intimidador. Mas perguntas intimidadoras demonstram um desejo de conhecimento, um interesse. Só as fazemos pra quem sentimos que realmente vale à pena, porque convém manter um relacionamento superficial com pessoas indiferentes.

A construção de uma pergunta evidencia a forma como o interlocutor compreende o mundo. Toda pergunta implica numa resposta, seja essa dita ou não. Perguntas comprometedoras nos fazem pensar e suas respostas revelam até a nós mesmos quem realmente somos.

Uma linha tênue divisa meu interesse do bom senso. Muitas vezes, abrigo perguntas inconvenientes esperando o dia em que talvez possam ser feitas. Esporadicamente uma ou outra escapa e como resultado, vezes colho uma semente de amizade, vezes perco um colega para a superficialidade.

As perguntas mais inconvenientes me seduzem por serem penetrantes, por conduzirem às respostas significativas, por exporem motivos ocultos e me capacitarem a enfrentar maiores verdades.

Toda pergunta é um ponto de partida. Uma boa pergunta pode ser o início de uma aventura.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Amigos

Falar de amizade, de amigos no plural, não teria outro sentido se não refletir na lição que com uns poucos aprendi. Digo poucos com orgulho, porque embora escassos em número são abundantes em qualidade. Fui bem criterioso ao condecorar-lhes com esse título, pois depois de uma série de acontecimentos não era mais possível considerar-lhes meros colegas. Não citarei nomes, mencionarei o que com cada um aprendi sobre a amizade.

Amigo é aquele te faz cumprir uma promessa, acabe a intimidade, passe o tempo, o que foi dito na sinceridade percorre os caminhos da fidelidade;

Amigo é aquele que tem prazer na sua companhia, que quer estar com você todos os dias, ele é comum a seus gostos, suas crenças é quem te leva a pensar;

O amigo é quem partilha com você todas suas historias (e quantas histórias) e te deixa a par de tudo o que aconteceu na vida dele antes da sua chegada;

Amigo é quem olha pra os seus olhos e enxerga o que se passa no seu coração, ele não pergunta se está tudo bem, ele só pergunta: o que aconteceu dessa vez?

O amigo pode machucar, e como, mas o amigo perdoa;

Amigo é quem te faz rir só pelo jeito que ele pronuncia seu apelido;

Amigo é quem de te liga puxando assunto só pra ouvir o som da sua voz;

Amigo não é superficial, é profundo, o amigo se importa com você independente das circunstâncias, amigo diz sempre a verdade. O amigo te conhece como você é, ele entende o que vai no fundo do seu coração, ele sabe seus defeitos, seus problemas, ele conhece sua ferida, o que te incomoda. Amigo é quem sempre tenta fazer o que é certo. Amigo é quem te ensina, quem sofre junto. O amigo faz você rir, se preocupa com seus sentimentos, torce verdadeiramente pelo seu sucesso. Ele se importa com quem vai ser sua próxima namorada (o). Amigo é aquele com o qual você faz planos, é o que te motiva. Amigo é aquele que sabe te fazer bem independente da situação.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Coleguismo

Já foi dada uma breve introdução a respeito de meus pensamentos, sobre o que chamam de amizade. Antes de falarmos sobre a amizade comum e a verdadeira amizade seria necessário avaliar outro tipo de relacionamento mais rudimentar, o que eu chamo de “coleguismo”.

O coleguismo é uma relação interpessoal humana muito comum, está presente em diversas áreas de nossa vida e envolve a maioria das pessoas. Onde estamos temos a habilidade de nos relacionar, e qualquer tipo de relacionamento saudável entre pessoas pode ser tido como coleguismo.

Podemos fazer colegas em festas, férias, no trabalho, na escola ou em qualquer ambiente. Os colegas são amáveis e simpáticos, geralmente temos muitas coisas em comum. Com os colegas até podemos repartir algumas dores, mas não devemos falar de mais e nem tudo o que pensamos, eles são embalados no lacre da superficialidade. Podemos conviver anos com um colega sem saber a história de sua vida. O importante é sempre manter o alto-astral, dar risadas, se divertir e seguir aquela linha de comportamento imposta pela sociedade em todas as circunstancias.

Os colegas passam por nossa vida, uns por algumas horas, outros por dias ou até anos. São pessoas que entram e saem das nossas vidas, quando vem à separação não devemos temer, “foi bom enquanto durou”, desejar felicidades e seguir em frente cada um pelo seu rumo. Se no futuro se encontrarem relembrarão alguns momentos e perceberão que se fizeram o uso da palavra amigo foi em vão, pois na verdade passaram pelas vidas um do outro quando havia algo em comum, mas agora, é... eram colegas!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Por que sorrimos quando alguém nos abraça?

Por que sorrimos quando alguém nos abraça?
Seria pela segurança, pela ajuda ou pelo conforto? Não, ninguém sorri por estar seguro, ser ajudado ou ficar confortável. Essas são razões mais racionais e a razão raramente faz sorrir o coração. As pessoas sorriem quando brota sentimento, quando ele é maior do que o corpo e não se contendo em ser só pra si transborda num sorriso compartilhando a alegria com todos.

Mas porque tanto alegria em um simples abraço?
Eu acredito que exista um diálogo entre os corações, onde a linguagem não é feita de palavras, mas de sentimentos. Quando se abraçam, os corações amigos podem ouvir o cochichar um do outro, trocando segredos, acalentando as aflições, transmitindo paz. Não nos deixam ouvir ou compreender, mas nos permitem sentir a reciprocidade dos nossos sentimentos por quem gostamos.


Então é isso?
Não, embora bastasse o maravilhoso diálogo dos corações amigos, não é só isso. O abraço tem um trunfo, ele ultrapassa a esfera dos sentimentos e da razão e corajosamente se arrisca nos terrenos da ação. Seria belo sentir verdadeiramente, extraordinário dizer com sinceridade, mas é excelente demonstrar.

Tantos abraços já recebi em minha vida, alguns mais inexperientes, outros mais confiantes, uns inesperados outros extremamente aguardados. Cada abraço é único porque cada pessoas é única. De uma coisa eu tenho certeza: Abraçar é muito bom!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Sobre a Amizade

São poucos os assuntos que me fascinam tanto quanto a amizade. Sem dúvida, já escrevi sobre este mais do que qualquer outro assunto. Iniciarei minha jornada pelos caminhos da amizade nesse Blog com uma breve introdução:

Antigamente a palavra “amizade” definia relacionamentos a beira da perfeição, era usada cautelosamente pelo grande valor que em si carregava. Foram poucos os que atingiram em seus relacionamentos o ideal proposto pela palavra, tanto que existem alguns ensaios e idealizações sobre o assunto, mas são raros os testemunhos de uma verdadeira amizade. Um exemplo disso é a Bíblia, que tão vasta em temas apresenta somente um relato detalhado de amizade entre humanos, e o faz abismando leigos no assunto com termos como “a alma de Davi se ligou a de Jônatas”.

Ao transcorrer da historia, o real significado de amizade foi se esvanecendo e ela passa agora a abranger todos os relacionamentos saudáveis humanos. Seria de minha vontade recuperar a grandeza autêntica da palavra amizade, mas para isso haveria necessidade de encontrar outra forma de classificar os bons relacionamentos que não são amizade, colegas. Por experiência, prefiro manter a inversão de valores caracterizando a amizade que beira a perfeição como verdadeira, não porque as outras sejam falsas, mas porque essa denota o primitivo sentido da palavra.

Nos textos sobre a amizade, ponderarei alguns de seus níveis e seus benefícios, mas enfatizarei e celebrarei o dom da amizade verdadeira. Amantes dessa encontrarão aqui refúgio; Candidatos, auxílio; Solitários, esperança.