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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Auto-estima

Muitas pessoas estão doentes, socialmente doentes. E essa doença, por mais contraditória que possa parecer, não tem nada a ver com o outro, apenas com o eu. São pessoas necessitadas de amor próprio, vulnerabilizadas por suas instáveis emoções, reféns de si mesmos.

Exaltam a era do culto a si mesmo, e abusam de roupas de marca, “amigos” do Orkut, celulares ou qualquer outro símbolo social que granjeie bajulações vendendo a imagem de que eles têm algo que não são.

Mas a solidão sempre os encontra e ela é cega para status, mas especialista em avaliar a alma e determinar com exatidão o valor que cada um tem. Neste momento, nus diante da verdade essas vítimas do eu têm sua carência revelada.

Sabem no fundo que estão equivocados em sua maneira de viver, em tentativas desesperadas confundem auto-estima com egoísmo e buscando a satisfação da carência, fecham as portas para o que poderia enfim os ajudar, um relacionamento virtuoso.

domingo, 29 de março de 2009

Por que eu gosto das perguntas mais inconvenientes?

Quando as pessoas perguntam se está tudo bem, você não pensa numa resposta, você simplesmente responde: tudo. Para perguntas mais comuns existem respostas previamente preparadas. Para as perguntas mais insólitas, no entanto, há reflexão, o que gera respostas mais sinceras.


O mundo é superficial demais, romper esse superficialismo é um ato de coragem, é sempre arriscado ser intimidador. Mas perguntas intimidadoras demonstram um desejo de conhecimento, um interesse. Só as fazemos pra quem sentimos que realmente vale à pena, porque convém manter um relacionamento superficial com pessoas indiferentes.

A construção de uma pergunta evidencia a forma como o interlocutor compreende o mundo. Toda pergunta implica numa resposta, seja essa dita ou não. Perguntas comprometedoras nos fazem pensar e suas respostas revelam até a nós mesmos quem realmente somos.

Uma linha tênue divisa meu interesse do bom senso. Muitas vezes, abrigo perguntas inconvenientes esperando o dia em que talvez possam ser feitas. Esporadicamente uma ou outra escapa e como resultado, vezes colho uma semente de amizade, vezes perco um colega para a superficialidade.

As perguntas mais inconvenientes me seduzem por serem penetrantes, por conduzirem às respostas significativas, por exporem motivos ocultos e me capacitarem a enfrentar maiores verdades.

Toda pergunta é um ponto de partida. Uma boa pergunta pode ser o início de uma aventura.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sensacionalismo

Sinceramente, eu preferiria não falar desse assunto, pois minha opinião é controversa e muitas vezes choca alguns. Mas dessa vez me incomodou demais então vou falar sobre isso.

Suzana Richthofen , Nardoni, João Hélio e agora Eloá. São alguns nomes que trazem a lembrança acontecimentos trágicos, que embora pareçam fenomenais não passam de nossa realidade. Pessoas são mortas todos os dias, das maneiras mais horríveis. Mas em alguns casos há um acompanhamento todo especial, faz-se da tragédia um entretenimento, onde a televisão massacra a sensibilidade do homem ao custo da melhor imagem.

A mídia adora casos assim, onde se explora livremente a violência, onde a audiência é garantida e os “artistas” não cobram nada. O público se sente bem pelo alívio perverso, pode julgar os envolvidos e ainda tem papo pra quando acaba o assunto. Mistura-se o sensacionalismo barato com psicologia, com política, com religião e em certos pontos todos podem ter razão.

A comunidade de Eloá no Orkut tem quase 2 milhões de membros, seus scraps estão em torno de 25 mil, sem se falar nos milhões de acessos que seus vídeos do youtube já conquistaram. Esse excesso incomoda as pessoas inteligentes e sensatas, mas o povo cai na ciranda do sensacionalismo e patrocina com intenção de solidariedade a indústria da desgraça.

domingo, 14 de setembro de 2008

Arrependimento

Desde pequeno aprendi nas aulas de religião que pecado é errar o alvo. É sabido de todos que através do arrependimento temos acesso a graça que pela fé testifica a salvação. Muitas vezes me pergunto até que ponto meus pedidos de perdão não passam de costume ou mera hipocrisia. Seria falsidade o perdão não embasado em sentimento?


Remorso é a desestabilização das emoções causada por um erro. O peso na consciência nos faz lastimar, o remoer do passado nos faz sofrer, e a permanência no erro nos leva a culpa. Nisso tudo não há raiz para o arrependimento. Pois se pecado é errar o alvo, arrepender-se é acertar o alvo. E não se acerta lamentando, sofrendo ou culpando.

Voltar ao plano ou acertar o alvo é uma decisão que será válida enquanto houver esperança. Deus não se cansa de amar dizia o hino. Deus nunca está longe de um coração arrependido, decidido, machucado. Você pode voltar ao alvo com sentimento ou sem, mas só Deus pode te manter lá. Você pode tentar inúmeras vezes, mas só Ele pode dar a verdadeira libertação.



quinta-feira, 31 de julho de 2008

A obra da vida

Algumas sugestões apontaram alguma dificuldade no vocabulário e na interpretação dos textos, escrevo primeiro de maneira “inevitável” e logo em seguida de uma forma mais simples:

A vida é escura, cheia de contrastes mais sem brilho. É abissal a presença de saturações, mas limitado o espectro de matizes. Numa tonalidade cinzenta ela se apresenta crua, cabe ao ser humano colori-la de emoção. A visão é subjetiva, a interpretação concebe a idéia e estabelece o significado.

Os pincéis da alegria são molhados na imaginação e é a fantasia do real, não de forma alienada, mas de forma complementar, que dá o acabamento na obra da vida. É a idealização do concreto numa configuração abstrata que nos remete emoção ás lembranças. E é o uso de figuras representativas que acrescenta valor ao comum e faz especial o tradicional.

Toda beleza é vã no individualismo, o poder do repartir nossas experiências e cores que faz da vida mais que um projeto, uma obra de arte.

Em outras palavras...

A vida é cheia de desigualdades (sociais, culturais, financeiras...), mas em todas elas sem brilho (dinheiro, posição, bens, não trazem felicidade). Marca grande presença o excesso (o tedioso, o problema), mas é limitada quantidade de peculiaridades (de diferenças, de soluções) que cada um trás consigo. A vida como chega a nós não é atrativa, mas temos a capacidade de colori-la e fazê-la especial. O que vemos não é tão importante quanto o que pensamos do que vemos.

A alegria depende da imaginação, e é a fantasia, não de forma louca, mas de forma natural e não condicionada a frivolidade da sociedade que dá o acabamento na vida. É a idéia do real (que já aconteceu) que faz ao lembrarmos (do acontecimento) emocionarmo-nos novamente. É o fato de figurarmos as coisas (ironias, brincadeiras, trocadilhos) que acrescenta valor ao dia-a-dia e faz do comum especial.

É inútil ter uma vida, sem pessoas com quem podemos reparti - lá, e nossa capacidade de compartilhar experiências e emoções uns com os outros que faz da vida mais do que um empreendimento uma grande aventura.


quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia dos Namorados

Esse é meu décimo sétimo dia dos namorados solteiro. Envolto em meus pensamentos, numerei três breves críticas relacionadas ao “mau namoro”. Certamente será chato e frio para alguns, mas não faço questão de agradar a todos:

Em primeiro lugar, sou contra o namoro precoce. Geralmente ele ocorre antes de a pessoa definir seus princípios e conduta, sendo assim guiada completamente por um impulso cego que coloca a afeição numa escala superior a da razão. Essa paixão dominante e egoísta rouba muitos dos amigos, que deveriam ser de toda forma conquistados e valorizados nessa fase. Sem se falar nos perigos e traumas causados por um sentimento sem razão.

Sou também contra o namoro fácil por necessidade. Deixar-se cativar facilmente faz-nos perder o valor e conseqüentemente ferir a própria auto-estima. Instintos devem ser controlados, e quando não são, conspiram contra a razão deixando sem fundamento firme os sentimentos, que em vez de abrilhantar a vida passam a enegrecê-la.

Em terceiro, sou completamente contra e me incomoda o uso vulgar que muitos namorados fazem do “eu te amo”. São incontáveis os casais que fazem livre uso do termo em seus primeiros meses de relacionamento. “É um termo abundantemente usado, mas não compreendido. A atração ou fascinação de um por outro não é amor e não faz jus a esse nome. O verdadeiro amor tem base intelectual, através de um profundo conhecimento da pessoa amada.” EGW, Carta a jovens namorados, pág.36.

O bom namoro é uma benção, por esse espero ansiosamente. Mas sinceramente, do namoro precoce (que creio agora, já não ser o meu caso) e do namoro por necessidade prefiro me abster. Feliz Dia dos Namorados!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Nacionalismo, eleições e a greve dos ônibus

  • “Não existe nenhuma "comunidade natural" em torno da qual se possam reunir as pessoas que constituem um determinado agrupamento nacional, ela precisa ser inventada. É necessário criar laços imaginários que permitam "ligar" pessoas ao "sentimento" de terem algo em comum.” (Identidade e Diferença pg.85, adaptado)

  • Deveres de um cidadão brasileiro para com o estado no ano em que completa 18 anos: Alistamento militar e expedição do título de eleitor.

  • Semana passada os ônibus não circularam, greve. Hoje pela manhã, houve no terminal capelinha uma manifestação política em defesa aos direitos médicos e de reajustes de salários dos motoristas de ônibus (foto).

Sendo o nacionalismo uma imposição cultural que permeia nossa mente nos levando a considerá-la erroneamente como inata a nossa identidade (“sou brasileiro!”), seria racional por motivos nacionalistas servir o exercito ou morrer por seu país? Não! Mas e quanto ao voto, seria igualmente um dever cívico tolo? Considerando que pagamos impostos para o bom funcionamento da sociedade nacional, seria mais do que um dever, um direito, escolher sabiamente aqueles que administrarão nossos recursos pensando tanto em nossas necessidades, como nas de nossos filhos, e da nação. Cada cidadão tem suas carências, uns dependem do SUS, outros de educação pública, eu perdi um dia de aula pela greve na SP Trans (Companhia de Ônibus). Infelizmente, não podemos ser todos atendidos, mas se cada um optar pelo seu interesse a maioria será atendida. Os motoristas exigiram seus direitos pela greve, o voto é o meu grito de protesto.

Começa o dilema, a corrida política, não mais expectador, agora ELEITOR!

Opinião desenvolvida como resultado de contribuição intelectual de Jean Luc Mororó Roland;