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sábado, 17 de maio de 2008

A magia de um momento

Aproxima-se a data da celebração de bodas de ouro dos meus avós. Escassas são as comemorações desse tipo, e as poucas que acontecem são muito pobres em originalidade, na maioria das vezes, adaptando-se idéias de casamento. Logo, se vê a grande necessidade de algum material ser produzido. Nesse intuito, me dedicarei a criar alguns textos que acompanhados de arte gráfica enriquecerão o dia esperado. Peço a opinião dos leitores principalmente quanto à prolixidade (confusão) e a concisão do texto:

O olhar de um casal apaixonado na manhã que sucede a noite do casamento;
O primeiro toque nas mãos de um filho recém nascido em um quarto de hospital;
A vigésima vez que um neto pede para ouvir a mesma história;

Momentos.
Pequenas porções de tempo que emaranhadas de grande emoção penetram em nossa memória. A vida não se resume ao tempo de existência, mas a duração do sentimento, do sentido, da decisão.

Podem-se pagar fortunas por majestosos momentos:
Assistir uma bateria de fogos aos pés da torre Eiffel, em Paris;
Passar um fim de semana em um sofisticado chalé nas montanhas de frente para o mar;
Se emocionar assistindo a um clássico de Shakespeare;

Mas o mistério de um momento não está na noite em Paris, nem na manhã após o casamento, mas no olhar. O segredo do momento não se esconde em um chalé nas montanhas, nem no quarto de hospital, mas no toque. E a magia de uma vida não se deve a uma peça de Shakespeare, muito menos a uma história que uma avó conta a seu neto. Mas todo o mistério, o segredo e a magia se encontram na vigésima vez. Porque é fácil estar apaixonado na primeira manhã, no primeiro toque, na primeira história. Mas é relumbrante se apaixonar todas as manhãs, tocar com o mesmo carinho as mãos de um bebê que já é homem e contar com o mesmo sentimento pela vigésima vez a história.

(Se possível, leia uma segunda vez, o texto é repleto de conexões subjetivas.)