sábado, 3 de abril de 2010

Coração Solidário

No último domingo eu quase não consegui levantar, a cama me puxava, o edredom me enrolava e o travesseiro não queria me largar. Era bem cedo, era domingo. Uma força maior me arrancou da cama, me jogou no chuveiro e me motivou a sair. A força era a solidariedade e eu estava indo cumprir a missão da minha vida: fazer o bem.

Na Igreja encontrei outros soldados, cada um havia vencido sua própria batalha para estar naquele local e agora uniríamos nossas forças para uma nobre missão. Naquela manhã não construímos um castelo, salvamos alguém de um incêndio ou fizemos uma longa viagem pra falar do amor de Deus. Nós simplesmente tiramos entulhos de um cômodo, atrás de dois barracos, numa vila, em um bairro pobre.

Um cômodo simples de paredes sujas e teto falho que com nossa pequena ajuda se transformará de um pequeno depósito em um aconchegante lar. Não pelos móveis, pela estrutura ou pela reforma. Mas pelo espírito dos que voluntariamente foram até lá. Pelo Deus do coração desses humildes irmãos que lá habitarão.

É bom exercitar a solidariedade nesse mundo tão indiferente, nessa sociedade tão desumana, nessa cultura tão egocêntrica. É bom encarnar o amor que tanto pregamos e concretizá-lo em ações. Ações essas que transformam não só a vida de quem ajudamos, mas a nossa também.

Cheguei em casa imundo, suado e com alguns músculos doendo, mas com a certeza de que valeu a pena levantar naquela manhã. Eu estava realizado, não porque o cômodo ficou bem limpo ou o senhor muito feliz, mas porque não há nada mais gratificante do que sentir sua vida cumprindo um propósito.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Auto-estima

Muitas pessoas estão doentes, socialmente doentes. E essa doença, por mais contraditória que possa parecer, não tem nada a ver com o outro, apenas com o eu. São pessoas necessitadas de amor próprio, vulnerabilizadas por suas instáveis emoções, reféns de si mesmos.

Exaltam a era do culto a si mesmo, e abusam de roupas de marca, “amigos” do Orkut, celulares ou qualquer outro símbolo social que granjeie bajulações vendendo a imagem de que eles têm algo que não são.

Mas a solidão sempre os encontra e ela é cega para status, mas especialista em avaliar a alma e determinar com exatidão o valor que cada um tem. Neste momento, nus diante da verdade essas vítimas do eu têm sua carência revelada.

Sabem no fundo que estão equivocados em sua maneira de viver, em tentativas desesperadas confundem auto-estima com egoísmo e buscando a satisfação da carência, fecham as portas para o que poderia enfim os ajudar, um relacionamento virtuoso.

sábado, 25 de julho de 2009

Algumas verdades

Por mais bondosos que sejamos ou desejaríamos parecer, atrás de toda ação existe uma intenção. Intenções são suscitadas consciente ou inconscientemente por repentinos pensamentos. Pensamentos não têm donos ou autores, são produtos do que sentimos diante do que através de nossos sentidos percebemos. Não existem pessoas boas e más, existem pessoas arrependidas e não arrependidas porque todas, independentes de suas ações ou intenções, são más.

Por mais maldosos que sejamos ou desejaríamos parecer, frente a toda ação existe uma possibilidade de perdão. O perdão pode ser deliberadamente aceito ou não. Se aceito, é um crédito de valor imensurável que sempre cobre o débito e ainda sobra troco. Não existe pecado que tire alguém do céu, o que tira alguém do céu é a falta de perdão.

Por mais importante que sejamos ou desejaríamos ser, ao nosso lado, nesse mundo, sempre existe alguém que poderia nos substituir. Se podemos ser substituídos entendemos que não somos os mais importantes. Se não somos nós os mais importantes, Alguém deve ser. O inimigo nos confunde a todo tempo nos levando a entender que é algo sobre nós, mas é tudo sobre Deus. A obra é dEle, a luta é dEle.

Não se trata do que você faz, do que você deixa de fazer ou mesmo daquilo que você é. É tudo uma questão do que Jesus é e de tudo o que Ele já fez por você.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Saudade

Escrevo de um país chamado Saudade, numa outra dimensão, talvez um universo paralelo. Aqui o presente real é consumido para que eu possa viver na memória o passado.

Fico deslumbrado ao caminhar pelas ruas: Cinemas apoteóticos expõem em grandes telas os melhores momentos de minha vida; Nos teatros são exibidas recordações que de outra forma não poderiam ser tão vividamente retratadas; Competentes narradores declamam as gloriosas epopéias que um dia eu vivi; E até as mais simples lojinhas revelam fotografias de toques, sorrisos e olhares. Por todo ambiente posso ouvir a doce sinfonia pautada no ritmo do meu coração.

Neste país sou um agente da voz passiva, tudo o que me é permitido fazer é observar. Num surto de desespero, eu tento romper a ilusão, por querer agir, por ambicionar sentir e não somente assistir. Tento estilhaçar o que me divide entre o ver e o viver, é esse maldito vidro, a tal da realidade. Sou expulso de lá, mas por vezes me pego trocando o presente por uma rápida viagem a esse longínquo país.

Só quando volto entendo que sinto saudade de uma representação, do que não existe mais, os personagens, hoje encenam outras histórias, e os lugares, já não são mais os mesmos. Dessa premissa deduzo a mais incontestável realidade: saudade dói.

sábado, 30 de maio de 2009

Você é crente?

Essa pergunta repetida algumas vezes nos últimos dias me fez pensar. O que é ser crente?? Embora sejamos todos crentes por crermos em algo, quase que por uma convenção catalogamos os religiosos como crentes. Eu entendia o sentido da pergunta, mas não podia simplesmente me identificar nessa concepção atual de “crente”.

Eu gostaria de mudar a compreensão do crente taxado, mas sei que em meu meio muitos tiveram a atração à espiritualidade destruída logo na infância pela cultura dominante que prega a relatividade moral e o culto a futilidade. Vejo crianças que só pensam em super-heróis, armas, explosões, desprezíveis slogans, músicas e marcas.

Sei que na escola se desenvolve um raciocínio carente (pra não dizer falso) que oferece a segura conformidade de ver outros iguais em troca da liberdade e coragem pra pensar diferente. Aliás, esse sistema gravita mais em torno da verbalização do que do raciocínio porque tudo não passa de um exercício de se repetição de informações previamente estabelecidas.

Como se não bastasse a conformidade da repetição que inibe o modo de se repensar as coisas, o que dizer da banalização e da distorção da religião que me faz ter receio em dizer que sou crente pelo sentido pejorativo agregado por cínicas instituições religiosas que fazem da salvação produto de mercado ou ações na bolsa que trarão lucro a curto prazo?! Também não posso ser um moralista conservador que cultua sua perfeita imagem e cedo ou tarde se encontra na mais pura hipocrisia.

Porque o abismo entre os extremos é tão grande e qual a relação entre o equilíbrio religioso e a relatividade moral? Por que tantos constroem celeiros na euforia do evangelho da prosperidade, tantos são desmotivados acreditando em fantasmas do passado, tantos são derrotados pelo desejo extremo de ser correto e tão poucos não se deixam intimidar e se arriscam a viver um Jesus próximo?

Por que tão poucos enxergam o cristianismo não só como um conjunto de regras ou um sistema de crenças, mas antes de tudo, um caso de amor?!


Inspirado no livro a assinatura de Jesus.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Cheios de vazio

Vejo pessoas caminhando sem razão, sem direção, seguindo o vento. Caminham sem saber para onde querem ir, sem saber onde podem chegar. Caminham porque todos caminham, caminham porque sentem prazer em andar.

Seus olhares enfadados refletem o que se passa fundo de suas almas, sua insignificância. Não se julgam aptos para questionar e não lhes resta tempo, porque tudo o que devem fazer é andar.

Pessoas carentes de razões pela vida. Não controlam as emoções, não desenvolvem ensejos, não possuem crenças. Por não acreditar no que não podem ver, conformam-se com a cegueira perdendo assim de vista até o óbvio.

Envolvidos na decadente cultura tornam-se céticos, narcisistas, hedonistas, consumistas. Vítimas do próprio conforto, eles não podem parar de andar porque o mundo capitalista precisa girar.

Realidade cruel essa, onde as vidas são cheias de vazio. Onde a maldição do homem não é morte, mas a própria vida. Vida sem sentido, vida morta.

sábado, 11 de abril de 2009

Páscoa.

Pelo pecado uma vez escravizado, andava errante o homem pelo mundo. Associava-se a prazeres voluptuosos e perdia sutilmente, na cega servidão, a identidade do reino para o qual fora separado. Ofuscava com a distância, a realidade de um Deus e cogitava em seu coração a descrença nutrida pelo sofrimento. Honrado, praticava a injustiça; Santo, profanava o sacro; Honesto,

................................cultuava a mentira; Curado, feria a rocha.

Pelo amor uma vez encarnado, andava em retidão o homem-Deus pelo mundo. Associava-se a pecadores e resgatava neles vividamente a identidade perdida. Brilhava como uma luz nunca antes tão próxima e acendia nos corações uma crédula chama nutrida de esperança. Desonrado, era a Justiça; Profanado, era o Santo; Rotulado mentiroso, era a Verdade; E ferido foi, pois era a Rocha.

Não há história mais bela do que a tragédia do calvário. Nenhuma toca meu coração com tanta alegria, nunca uma aliança foi tão comprometida. Com o poder do amor, o homem-Deus desfraldou da cruz a bandeira da salvação, e entregando-nos Sua vida restou-Lhe nossa morte. Mas sobre Ele o aguilhão da morte não triunfou, o Deus-homem venceu o sepulcro, concretizando a libertação de todo o cativo que carrega seu lábaro ensangüentado.

Da metáfora da escravidão à realidade da ressurreição, a páscoa significa esperança. Esperança de que apoteoticamente, o Deus-homem, montado em Seu cavalo branco venha vencendo e pra vencer, consumar o direito na cruz garantido, esmagar a cabeça da serpente e libertar, enfim e definitivamente, o homem errante que foi pelo pecado uma vez escravizado.

domingo, 29 de março de 2009

Por que eu gosto das perguntas mais inconvenientes?

Quando as pessoas perguntam se está tudo bem, você não pensa numa resposta, você simplesmente responde: tudo. Para perguntas mais comuns existem respostas previamente preparadas. Para as perguntas mais insólitas, no entanto, há reflexão, o que gera respostas mais sinceras.


O mundo é superficial demais, romper esse superficialismo é um ato de coragem, é sempre arriscado ser intimidador. Mas perguntas intimidadoras demonstram um desejo de conhecimento, um interesse. Só as fazemos pra quem sentimos que realmente vale à pena, porque convém manter um relacionamento superficial com pessoas indiferentes.

A construção de uma pergunta evidencia a forma como o interlocutor compreende o mundo. Toda pergunta implica numa resposta, seja essa dita ou não. Perguntas comprometedoras nos fazem pensar e suas respostas revelam até a nós mesmos quem realmente somos.

Uma linha tênue divisa meu interesse do bom senso. Muitas vezes, abrigo perguntas inconvenientes esperando o dia em que talvez possam ser feitas. Esporadicamente uma ou outra escapa e como resultado, vezes colho uma semente de amizade, vezes perco um colega para a superficialidade.

As perguntas mais inconvenientes me seduzem por serem penetrantes, por conduzirem às respostas significativas, por exporem motivos ocultos e me capacitarem a enfrentar maiores verdades.

Toda pergunta é um ponto de partida. Uma boa pergunta pode ser o início de uma aventura.

domingo, 15 de março de 2009

Ensaio sobre o Nada

Nem perca seu tempo lendo isso, porque uma coisa é certa: um ensaio sobre o nada não leva a lugar algum.

Geralmente escrevo sobre o que me faz pensar, mas dessa vez não consegui pensar em nada, tarde demais, pensar em nada já era um pensamento. Definitivamente uma contradição, mas uma ilusória conexão entre meios pensamentos sem começo ou fim.

A vida é cheia de nadas. Ás vezes no ócio nos perdemos entre pensamentos, acabamos não chegando a conclusão nenhuma e conseqüentemente contemplamos por alguns milésimos de segundos a ausência do algo. Mas é interessante que sempre que se pensa no nada algo vem à mente. Penso no vazio da religião, na incompreensível química, no vácuo da física e nos sofismas da filosofia.

Parece que tudo tem um pouco de nada, só o nada que não tem nada de si mesmo e nada de tudo. Há muito a se refletir sobre o nada, poderia escrever mais, mas seja como for esgotei o recurso da falta de idéias e na próxima terei que me esforçar realmente pra escrever sobre algo. Termino como comecei, sem definitivamente nada a dizer.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Estrada

É ao viajar pela estrada, a metáfora da vida, que entre paisagens ora estáticas, ora dinâmicas, repensamos nosso ser. A mesma distância que nos separa de uns, nos aproxima de outros. E é neste intervalo entre a partida e a chegada que estamos sozinhos. Sozinhos para analisar nossas prioridades e ponderar
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .nossas voláteis emoções.

As pessoas podem nos motivar, nos ajudar e nos ensinar, mas só na intimidade do nosso eu podemos empreender a jornada de decisões. Estudamos nosso comportamento diante de algumas situações, acatamos conselhos cordiais e consideramos o que pode fazer de nós pessoas melhores. Em breves momentos, onde a viagem psíquica ultrapassa as barreiras físicas do mundo pelo qual nos deslocamos, elaboramos todo um plano, pode ser que nada dê certo, mas na vida é preciso arriscar, porque deixar de arriscar é o maior risco.

O que se passou é conhecido, são lembranças, são promessas. No agora, contemplamos a paisagem dos sonhos. E no horizonte se esboçam os anseios de um amanhã desconhecido.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Voltei...

Queridos leitores, após o período de férias, retomo as atividades neste Blog. Gostaria de agradecer nominalmente aos principais colaboradores, incentivadores e divulgadores dessa iniciativa: À Evelyn, que com sua sinceridade e admirável inteligência serve de termômetro à qualidade do mesmo; Ao Jean, meu grande amigo que viabilizou segurança e estabilidade para o desenvolvimento; À Laís, que sempre comenta e cobra novos textos; Ao Diógenes, que inspira a necessidade do mesmo e serve de exemplo motivador; e à Mariel que conquistou leitores onde eu nem sabia.

Gostaria de informar ainda que além dos costumeiros pequenos ensaios, trabalharei mais com relatos (como o dos moradores de rua) e opiniões (sensacionalismo). Conto com as colaborações de todos e o meu Muito Obrigado!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sensacionalismo

Sinceramente, eu preferiria não falar desse assunto, pois minha opinião é controversa e muitas vezes choca alguns. Mas dessa vez me incomodou demais então vou falar sobre isso.

Suzana Richthofen , Nardoni, João Hélio e agora Eloá. São alguns nomes que trazem a lembrança acontecimentos trágicos, que embora pareçam fenomenais não passam de nossa realidade. Pessoas são mortas todos os dias, das maneiras mais horríveis. Mas em alguns casos há um acompanhamento todo especial, faz-se da tragédia um entretenimento, onde a televisão massacra a sensibilidade do homem ao custo da melhor imagem.

A mídia adora casos assim, onde se explora livremente a violência, onde a audiência é garantida e os “artistas” não cobram nada. O público se sente bem pelo alívio perverso, pode julgar os envolvidos e ainda tem papo pra quando acaba o assunto. Mistura-se o sensacionalismo barato com psicologia, com política, com religião e em certos pontos todos podem ter razão.

A comunidade de Eloá no Orkut tem quase 2 milhões de membros, seus scraps estão em torno de 25 mil, sem se falar nos milhões de acessos que seus vídeos do youtube já conquistaram. Esse excesso incomoda as pessoas inteligentes e sensatas, mas o povo cai na ciranda do sensacionalismo e patrocina com intenção de solidariedade a indústria da desgraça.

sábado, 18 de outubro de 2008

Um sábado diferente

Hoje eu acordei e me arrumei pra ir pra igreja, um pouco antes de sair começou a chover, chover muito, eu fiquei meio desanimado, mas peguei meu guarda-chuva e saí. Quando cheguei á estação do metrô vi uma mulher e três homens reunindo os moradores de rua que dormem ali para cantar hinos, achei interessante, mas continuei meu caminho. Quando estava com o cartão na mão, na frente da catraca decidi voltar. Juntei-me à roda, eram nove homens de rua e quatro cachorros, a mulher inicialmente tinha ido alimentar os cachorros e acabou levando uns amigos para fazer uma pequena reunião ali. Eles leram a Bíblia, oraram com muita confusão e começaram a cantar. Eu conhecia o cântico “Você tem valor” que aprendi no EJC e comecei a cantar também. Depois um dos amigos da mulher deu seu testemunho de já ter sido também um morador de rua e da transformação que Deus operou em sua vida. Cantamos porque Ele vive e faz chover, nessa segunda música estava chovendo muito forte, ventando bastante. O senhor do meu lado estava chorando discretamente e balbuciava as palavras: Senhor, ajuda minha coluna pra que eu possa puxar a carroça. Cantamos outros cânticos, a mulher e os homens foram embora. Alguns moradores de rua vieram me abraçar, eu passo todos os dias por ali, conversei um pouco com eles, um contou a historia de seu casamento, outro de como havia a uma semana quebrado o pé. Os cachorros estavam brincando, a chuva caindo e eu me sentia bem naquele ambiente que me era tão hostil. Tive uma manhã de sábado bem diferente, mais com certeza muito agradável.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Amigos

Falar de amizade, de amigos no plural, não teria outro sentido se não refletir na lição que com uns poucos aprendi. Digo poucos com orgulho, porque embora escassos em número são abundantes em qualidade. Fui bem criterioso ao condecorar-lhes com esse título, pois depois de uma série de acontecimentos não era mais possível considerar-lhes meros colegas. Não citarei nomes, mencionarei o que com cada um aprendi sobre a amizade.

Amigo é aquele te faz cumprir uma promessa, acabe a intimidade, passe o tempo, o que foi dito na sinceridade percorre os caminhos da fidelidade;

Amigo é aquele que tem prazer na sua companhia, que quer estar com você todos os dias, ele é comum a seus gostos, suas crenças é quem te leva a pensar;

O amigo é quem partilha com você todas suas historias (e quantas histórias) e te deixa a par de tudo o que aconteceu na vida dele antes da sua chegada;

Amigo é quem olha pra os seus olhos e enxerga o que se passa no seu coração, ele não pergunta se está tudo bem, ele só pergunta: o que aconteceu dessa vez?

O amigo pode machucar, e como, mas o amigo perdoa;

Amigo é quem te faz rir só pelo jeito que ele pronuncia seu apelido;

Amigo é quem de te liga puxando assunto só pra ouvir o som da sua voz;

Amigo não é superficial, é profundo, o amigo se importa com você independente das circunstâncias, amigo diz sempre a verdade. O amigo te conhece como você é, ele entende o que vai no fundo do seu coração, ele sabe seus defeitos, seus problemas, ele conhece sua ferida, o que te incomoda. Amigo é quem sempre tenta fazer o que é certo. Amigo é quem te ensina, quem sofre junto. O amigo faz você rir, se preocupa com seus sentimentos, torce verdadeiramente pelo seu sucesso. Ele se importa com quem vai ser sua próxima namorada (o). Amigo é aquele com o qual você faz planos, é o que te motiva. Amigo é aquele que sabe te fazer bem independente da situação.

domingo, 14 de setembro de 2008

Arrependimento

Desde pequeno aprendi nas aulas de religião que pecado é errar o alvo. É sabido de todos que através do arrependimento temos acesso a graça que pela fé testifica a salvação. Muitas vezes me pergunto até que ponto meus pedidos de perdão não passam de costume ou mera hipocrisia. Seria falsidade o perdão não embasado em sentimento?


Remorso é a desestabilização das emoções causada por um erro. O peso na consciência nos faz lastimar, o remoer do passado nos faz sofrer, e a permanência no erro nos leva a culpa. Nisso tudo não há raiz para o arrependimento. Pois se pecado é errar o alvo, arrepender-se é acertar o alvo. E não se acerta lamentando, sofrendo ou culpando.

Voltar ao plano ou acertar o alvo é uma decisão que será válida enquanto houver esperança. Deus não se cansa de amar dizia o hino. Deus nunca está longe de um coração arrependido, decidido, machucado. Você pode voltar ao alvo com sentimento ou sem, mas só Deus pode te manter lá. Você pode tentar inúmeras vezes, mas só Ele pode dar a verdadeira libertação.



quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Livre-arbítrio

Há algum tempo me pergunto o porquê do desejo de convencer alguém de algo. Seria uma ação involuntária visando subliminarmente à redução de atrito em um relacionamento? Não, o próprio ato da persuasão ou debate já é um atrito que poderia ser evitado majoritariamente. Cogitando possibilidades encontrei uma que me intriga, mas de certa forma me agrada.

Deus deu ao homem o livre-arbítrio. Aqui começa um enorme paradoxo, a antagônica relação entre liberdade e juízo (arbítrio). É incrível como as pessoas gostam de julgar umas as outras, adotam como regras padrões individuais definidos por puro capricho e se acham no direito condenar. A restrição é um atentado contra a própria liberdade. Sentimo-nos livres para julgar, mas não aceitamos a liberdade de quem tomamos por réus.

Nosso íntimo egoísta deseja convencer e dominar, tudo o que ardentemente desejamos em nossa pequenez Deus em Sua grandeza abriu mão ao dar-nos o livre-arbítrio. Ele em Seu infinito amor deu-nos a opção de não amá-Lo. Esse é o cerne do altruísmo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Coleguismo

Já foi dada uma breve introdução a respeito de meus pensamentos, sobre o que chamam de amizade. Antes de falarmos sobre a amizade comum e a verdadeira amizade seria necessário avaliar outro tipo de relacionamento mais rudimentar, o que eu chamo de “coleguismo”.

O coleguismo é uma relação interpessoal humana muito comum, está presente em diversas áreas de nossa vida e envolve a maioria das pessoas. Onde estamos temos a habilidade de nos relacionar, e qualquer tipo de relacionamento saudável entre pessoas pode ser tido como coleguismo.

Podemos fazer colegas em festas, férias, no trabalho, na escola ou em qualquer ambiente. Os colegas são amáveis e simpáticos, geralmente temos muitas coisas em comum. Com os colegas até podemos repartir algumas dores, mas não devemos falar de mais e nem tudo o que pensamos, eles são embalados no lacre da superficialidade. Podemos conviver anos com um colega sem saber a história de sua vida. O importante é sempre manter o alto-astral, dar risadas, se divertir e seguir aquela linha de comportamento imposta pela sociedade em todas as circunstancias.

Os colegas passam por nossa vida, uns por algumas horas, outros por dias ou até anos. São pessoas que entram e saem das nossas vidas, quando vem à separação não devemos temer, “foi bom enquanto durou”, desejar felicidades e seguir em frente cada um pelo seu rumo. Se no futuro se encontrarem relembrarão alguns momentos e perceberão que se fizeram o uso da palavra amigo foi em vão, pois na verdade passaram pelas vidas um do outro quando havia algo em comum, mas agora, é... eram colegas!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Sonhar

Sonhar é construir universos paralelos com a concepção de uma idéia;
É controlar o tempo e conduzir espaço, é reger com harmonia cada detalhe.
É fazer parte de um mundo onde tudo gira em torno da nossa mente.
Onde os limites não existem, onde cada viagem se resume a um passo e cada passo é uma grande viagem.


Sonhar é plantar relacionamentos com o espontaneidade de um desejo;
É nutri-los com as mais fúteis demonstrações, e zelá-los como nosso maior tesouro.
É enfrentar o gigante da insegurança, e vencê-lo com as armas das ações.
É no final de toda batalha, conquistar a donzela de forma heróica.

É não ter medo de errar.
Ter ousadia pra tentar.
É um delírio, sonhar!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A obra da vida

Algumas sugestões apontaram alguma dificuldade no vocabulário e na interpretação dos textos, escrevo primeiro de maneira “inevitável” e logo em seguida de uma forma mais simples:

A vida é escura, cheia de contrastes mais sem brilho. É abissal a presença de saturações, mas limitado o espectro de matizes. Numa tonalidade cinzenta ela se apresenta crua, cabe ao ser humano colori-la de emoção. A visão é subjetiva, a interpretação concebe a idéia e estabelece o significado.

Os pincéis da alegria são molhados na imaginação e é a fantasia do real, não de forma alienada, mas de forma complementar, que dá o acabamento na obra da vida. É a idealização do concreto numa configuração abstrata que nos remete emoção ás lembranças. E é o uso de figuras representativas que acrescenta valor ao comum e faz especial o tradicional.

Toda beleza é vã no individualismo, o poder do repartir nossas experiências e cores que faz da vida mais que um projeto, uma obra de arte.

Em outras palavras...

A vida é cheia de desigualdades (sociais, culturais, financeiras...), mas em todas elas sem brilho (dinheiro, posição, bens, não trazem felicidade). Marca grande presença o excesso (o tedioso, o problema), mas é limitada quantidade de peculiaridades (de diferenças, de soluções) que cada um trás consigo. A vida como chega a nós não é atrativa, mas temos a capacidade de colori-la e fazê-la especial. O que vemos não é tão importante quanto o que pensamos do que vemos.

A alegria depende da imaginação, e é a fantasia, não de forma louca, mas de forma natural e não condicionada a frivolidade da sociedade que dá o acabamento na vida. É a idéia do real (que já aconteceu) que faz ao lembrarmos (do acontecimento) emocionarmo-nos novamente. É o fato de figurarmos as coisas (ironias, brincadeiras, trocadilhos) que acrescenta valor ao dia-a-dia e faz do comum especial.

É inútil ter uma vida, sem pessoas com quem podemos reparti - lá, e nossa capacidade de compartilhar experiências e emoções uns com os outros que faz da vida mais do que um empreendimento uma grande aventura.


sábado, 26 de julho de 2008

Correr

Perdoem-me os leitores pelo desleixo nos últimos dias... Férias!!!! Voltarei a escrever regularmente. Conto com os comentários... Obrigado!!! Um textinho meio fraco pra recomçar...

Correr: os pés tocam o chão, de forma harmoniosa o atrito do velho tênis sobre o asfalto gera o movimento. A velocidade, o peito ofegante, a liberdade. O vento contra o rosto, entrando pelas narinas, o cheiro da relva. A paisagem, os olhos atentos, a admiração. O sol, que brilha sobre o campo e com seus raios atravessa os galhos e as folhas de cada árvore, aos pouco vai se esvanecendo no horizonte. Uma trégua, no primeiro momento as mãos se lançam os joelhos, mas logo depois se olha ao redor, a terra, o vento, o sol. O tempo pára, e na intermitência de uma respiração sente-se a eternidade. Adoração, silêncio, reverência. Poderia ficar lá por horas, mas não seria a mesma coisa, tudo tem seu tempo e os momentos que nos dão vislumbres da eternidade exigem de nós em troca os pés no chão. A estrada perde-se nos pés, a brisa, a lua, no horizonte perde-se uma silhueta, é só um jovem correndo.